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Sonolência ao volante causa um quinto dos acidentes em Portugal

09/08/17 ATUALIDADE Imagem

A fadiga ao volante está na origem de 20 por cento dos acidentes rodoviários em Portugal. Para alertar os condutores para esse perigo nas estradas, foi lançada a campanha ‘Não Conduza de Olhos Fechados’.

A fadiga ao volante, que causa sonolência, está na origem de 20 por cento dos acidentes rodoviários, ou seja, um quinto do total. Foi para alertar sobre esta realidade que a Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), a Guarda Nacional Republicana (GNR), a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) e a Linde lançaram a campanha ‘Não Conduza de Olhos Fechados’.
Para além do alerta, as quatro organizações pretendem com a campanha, “ajudar os condutores não só a identificar os sinais da fadiga, como também a prevenir e agir perante esta situação”, explica um comunicado da SPP enviada à comunicação social.
“Em época de verão, de viagens mais longas rumo às férias e de regresso de tantos emigrantes ao nosso país, consideramos fundamental recordar a importância de um sono reparador antes de viajar”, afirma Susana Sousa, representante da Comissão de Trabalho de Patologia Respiratória do Sono da SPP. A Comissão defende que “chamar a atenção para o perigo da sonolência ao volante” é tão importante como alertar “para o perigo da condução sob efeito do álcool, de não cumprir as velocidades recomendadas ou de usar o telemóvel durante a condução”.

O alerta e um estudo europeu
A SPP reforça este alerta com a informação retirada de um estudo recente feito em 19 países da Europa. Teve a participação de 12.783 mil europeus, dos quais 1093 residentes em Portugal, e concluiu que “23% dos participantes já tinham adormecido ao volante pelo menos uma vez nos últimos dois anos e 8% referiram ter tido um risco de acidente de viação como consequência de terem adormecido”.
“Este estudo revelou ainda que 20% dos acidentes de viação estão relacionados com sonolência ao volante; que os homens têm quase o dobro do risco de adormecer ao volante do que as mulheres e que os indivíduos que conduzem maiores distâncias apresentaram maior risco de adormecer ao volante. Esse risco é três vezes superior nos indivíduos com alta probabilidade de apneia obstrutiva do sono”, revela ainda a SPP.
Apesar da baixa aceitabilidade e da elevada perceção de risco da condução quando fatigados, 59% dos portugueses (60% na União Europeia) revelaram” ter conduzido quando estavam demasiado cansados para o fazer nos 12 meses anteriores ao estudo, indicam ainda os resultados do estudo.
Susana Sousa revela que entre as diferentes causas responsáveis pela sonolência ao volante, estão, em primeiro lugar, os fatores comportamentais. “A privação do sono, ou seja, dormir menos que 7 a 9 horas, o trabalho excessivo por períodos prolongados, o trabalho por turnos e sem recuperação do sono nos períodos de descanso são causas frequentes de sonolência”, alerta. A pneumologista lembra ainda que “todos distúrbios do sono não tratados podem afetar a capacidade de alerta durante o dia e consequentemente, influenciar a capacidade para a condução”.
A SPP indica que os principais sinais de sonolência são bocejos frequentes, dificuldade de concentração, dificuldade em focar e manter os olhos abertos, sensação de sonhar acordado, reação com mais lentidão, pensamentos desconexos, dificuldade em memorizar acontecimentos imediatamente anteriores.
Como medidas de prevenção recomenda aos condutores que durmam de 7 a 9 horas, não conduzam em caso de sonolência, estejam atentos para reconhecer os sinais de sonolência ao volante (bocejos frequentes, visão desfocada, dificuldade de concentração, sensação de sonhar acordado e dificuldade em manter os olhos abertos), parem o carro e durmam uma sesta de 15 a 20 minutos em caso de se sentirem com sono enquanto conduzem e, por último, planeiem a viagem ou o trabalho prévio à condução e considerem partilhar a tarefa de condizir em viagens longas.

Ana Grácio Pinto

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